Adoração musical

Criar ambiente e fixar conteúdo.   Independentemente das diversificadas opiniões, estes objetivos têm prevalecido na história da música, especialmente a partir do ano 1500; deixando para trás a “música gótica”, em que compor e interpretar era tarefa de todo músico, através de improvisações.   Desde que a tarefa de compor e de interpretar se tornou distinta, os objetivos de criar ambiente e fixar conteúdo passaram a conviver ora em acirrada disputa ora em harmoniosa e bela parceria; evidentemente tal instabilidade se deu mais pela interpretação e definição de cada músico do que pelas possibilidades da própria arte musical.

Quando transportamos estes objetivos para a música na igreja, pensando, exclusivamente, em adoração; devemos considerar que tipo de ambiente é desejável?   Uma resposta rápida e concisa seria:  Ambiente de adoração. Este, seria, provavelmente, melhor compreendido como:

1.  Ambiente de louvor e de gratidão que nos leve a pensar em Deus.

2.  Ambiente de alegria que nos ligue a Ele.

3.  Ambiente de reflexão que nos ligue a Sua Palavra.

4.  Ambiente de dedicação que leve ou ao arrependimento, ou ao desejo de servir.

5.  Ambiente de amor que produza comunhão entre os que são do Senhor.

Diante deste quadro a sucessiva pergunta seria:   Que tipo de música cria estes ambientes?   Novamente, uma resposta simplória (normalmente dada) seria:   Música que traduza adoração.   Porém, a pergunta persiste:  que tipo de música cria os ambientes desejados para a adoração?

Quanto à letra? Uma breve resposta seria a de que seu conteúdo deve concordar com a Revelação de Deus (Salmo 19.7ss).   Uma letra que apresente, musicalmente, a perfeição que restaura a alma; que dá sabedoria; que alegra o coração; que conduza ao discernimento e a irrepreensibilidade.   Que seja agradável ao Senhor:  “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (v.14).

Quanto à melodia? Que seja agradável, coerente, e significativa (Salmo 137.1-4).   [Melodia é uma sucessão dos sons musicais combinados.   É a voz principal, que dá sentido a uma composição musical.   Encontra apoio na harmonia, que é a execução de sons simultâneos dos demais instrumentos ou vozes quando se trata de música coral]   Os israelitas questionavam a possibilidade de melodiar as canções de adoração em ambiente conflitante:  “Como haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?” (v.4). A melodia deve convergir o ambiente de adoração a seu conteúdo, traduzindo uma coerência significativa ao adorador e ao Adorado.

Quanto à harmonia? O óbvio!  Que seja harmônica, isto é, perceptível, ordeira, e bela (Salmo 19.1-6).   [Harmonia é o campo que estuda as relações de encadeamento dos sons simultâneos (acordes).   A harmonia é um conceito clássico que se relaciona às idéias de beleza, proporção e ordem]   A música na adoração deve traduzir e transmitir os atributos do Senhor, revelando Sua beleza, Seu controle e sensibilidade; à semelhança da descrição de Davi no Salmo 19, quando mostra que a criação proclama a glória de Deus, através destas características:  “por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (v.4).

Quanto ao ritmo? Que estimule os adoradores a uma reação que propicie o ambiente esperado (Salmo 150).   [Ritmo designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado.   O ritmo está inserido em tudo na nossa vida.   Ritmo é o tempo que demora a repetir-se um qualquer fenômeno repetitivo, mas a palavra é normalmente usada para falar do ritmo quando associado à música, à dança, ou a parte da poesia, onde designa a variação (explícita ou implícita) da duração de sons com o tempo]   Observamos tipos de ambiente distintos na adoração, como ambiente de alegria ou de contrição.   Assim como na comunicação (inclusive na arte da homilia) usamos ritmos distintos no falar e no gesticular para expressar da melhor maneira possível a mensagem de Deus, atraindo a atenção do ouvinte, conduzindo-o a uma reflexão, aceitação e prática do exposto; assim, também, almejamos com o ritmo na música.

Enfim, música que traduza adoração.   Mantendo o foco no Adorado, mas, estimulando o adorador a uma adoração verdadeiramente espiritual:  “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as cousas.  A ele, pois, a glória eternamente.  Amém.” (Romanos 11.36).

2 comentários

  1. Quando penso em música que traduz adoração, me vem à mente variedade, mas com responsabilidade.
    Deus exige que O adoremos com uma boa música (com todos os requisitos destacados no texto), mas não podemos colocar a música dentro de uma caixinha, pois ela é variada e complexa.
    Por outro lado, o Senhor dos Senhores deseja um louvor que traduza respeito e reverência, rechedos de liberdade.
    Creio, que esse equilíbrio deve ser buscado. Um equilíbrio despretencioso, não rotulado.
    Um equilíbrio que traduza um novo cântico.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s