Não deixe de ter fome

Sem perceber cada ser humano é empurrado a uma vida de rotina cultural, social, profissional, moral e espiritual.   Nascemos em meio a uma rotina já existente; crescemos engolindo uma formação goela abaixo, prevalecendo a visão (rotina) dos responsáveis por nossa rotina; e, paulatinamente, nos adaptamos ao ritmo daqueles que já estão na estrada rotineira da vida.   Inclua nesta estrada a rotina de ciclicamente mudar alguns costumes, retornando ao anterior, tempos depois, e voltando, retornando, …   Antigamente, principalmente em algumas culturas, filho de peixe peixinho se tornava, isto é, o filho seguia a rotina do pai.  Se, o pai era professor, o filho professor seria; e isto porque seu avô também já o fora.    Hoje em dia, a rotina é o filho seguir por outro caminho a fim de ser mais bem sucedido que seu pai, que já fora melhor que seu avô.   Rotinas que permanecem e rotinas que vem e que vão por pertencerem à rotina da mudança.

Existem muitas coisas estranhas, que simplesmente aceitamos (vivemos) sem darmos conta de sua origem, valia, ou  funcionalidade.   Dentre estas coisas estão as rotina moral e espiritual.   Moralmente direciona-se a se viver como a maioria, aceitando o que ela aceita, e repetindo seu jeito de ser, mesmo que suas decisões sejam eticamente questionáveis.   Em alguns países, como no Brasil, a ética lógica é a indesejada, a chata, a do contra; já a aceitável e querida é a moral do jeitinho que acerta as diferenças, mesmo que estas sejam absurdamente incoerentes.   No discurso prevalece a ética, já na prática a estética com a cara e o gosto do grupo em que se vive.   Escuta-se o correto com ouvidos surdos e pratica-se o jeitinho com olhos cegos e mãos bobas.

Espiritualmente aprende-se a ser religioso.   Em muitos casos, religião é negócio de família.   No caso do cristianismo é só escolher entre o ser católico, evangélico ou praticante de alguma seita, e entrar na rotina.   Seguir os mandamentos divinos normalmente experimentados através das regras humanas, criando os costumes de cada igreja.

Você que lê este texto, provavelmente seja “evangélico”; talvez “batista”, ou “presbiteriano”, ou “assembleiano”, ou portador de outro nome denominacional.   Dependendo de sua rotina, teve formação tradicional, valorizando certos pontos e tendo alergia religiosa a outros.   Caso contrário, a formação “liberal” é a que prevalece seguindo a mesma rotina de valorizar certos pontos em detrimento de outros.

Em meio a tudo isto está a pior das rotinas:  valorizar a morte.   Isto se faz quando se prioriza a religião e se ignora a espiritualidade; quando se troca Deus pela igreja; quando se troca a santidade pelo legalismo; a Revelação pela denominação; quando ao invés de cultuar ao Senhor, em espírito e em verdade, o “crente” segue a rotina da solenidade politicamente correta.   A rotina de ser crente cega, tirando a visão espiritual, assim como tira a fome da presença de Deus, levando ao contentamento através dos móveis, do prédio, da administração, do viver comunitário, enfim, imagens, ídolos evangélicos.   Esta rotina maldita acaba com a esperança, com o sonho de justiça, de paz, de amor imerecido.   É esta rotina religiosa que apaga a chama por missões, tornando o coração frio, insensível ao chamado a fazer discípulos como demonstração de nossa gratidão pelo amor do Mestre, e ao entendimento de que o Senhor quer adoradores “em espírito e em verdade”, e não religiosos.

Não deixe de ter fome de Deus, não deixe de sonhar por uma vida espiritualmente melhor, não seja escravo da rotina, mas sim do Deus sempre maravilhoso e surpreendente.

2 comentários

  1. Achei bom principalmente “Não deixe de ter fome de Deus”
    Continue escrevendo, quem saber veremos suas conicas publicadas em um livro

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  2. “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2)

    Conformar (anorexia espiritual)
    Transformar (fome insaciável)

    Belo texto Pr. Wagner!

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