Espiritualidade alienada

Leia Jeremias 6.9-21

Distraído, desinformado; alucinado, enlouquecido. A idéia principal é a de algo desligado. Alguém que não se dá conta da realidade. Alguém que não enxerga, e, portanto, não entende sua própria vida, assim como a de outros. O que o leva a ser desconsiderado, não ser levado a sério. Este sempre foi o maior problema do povo de Deus, tanto Israel quanto Igreja, registrado, inclusive nas Escrituras. Esta alienação além de cegar o povo, sempre colocou o Senhor em pé de guerra com Seu próprio povo, levantando profetas para o despertamento espiritual. E a principal tarefa destes era a de falar a verdade. Não dar a desculpa ao povo de que Deus não se moveu para despertá-los de sua alienação. Não importava se o povo ouviria ou não, a tarefa do profeta era a de falar aquilo que na maioria das vezes incomodava.

É o que vemos no texto em Jeremias 6.9-21. O Senhor usa o profeta para falar diretamente ao povo, revelando o problema. Aliás, um antigo e teimoso problema: A dificuldade em assumir uma espiritualidade saudável.

Considerando o texto não há ausência de alvo, ou de prioridade. Ao contrário, a prioridade, mesmo que inconscientemente, é bem definida – “sou eu”. E isto faz com que tudo e qualquer coisa que esteja fora deste alvo seja ignorado (10).

O resultado é a ira do Senhor, normalmente não entendida, e ainda questionada, como se não houvesse razão para tal (11-15):

Problemas e dificuldades como disciplina do Senhor. Não por ser algo novo, traçado por Deus diante da novidade da recusa, mas sim como conseqüência de andar por um caminho diferente do ideal do Senhor (11-12).

Ganância, falsidade, falsa paz, falsa vida, falso futuro, falso deus. Uma religiosidade repleta de preconceitos, de crendices, e de uma tradição que revela a frieza do coração, o distanciamento do Senhor, o desamor (13-15).

“Tudo está bem!” Não. Não há nada bem. Há uma teimosia em viver como bobos, como alienados:

– Quem? Quando? Onde? Como?

– Não sei de nada?

– Ah! É mesmo?

– Interessante esta palavra, profunda…. (somente interessante).

– É verdade… (mas nunca essa verdade se aplica à pessoa).

– Oração? Leitura bíblica? Dons? Ministério?

– Como? Onde? Quando? Quem?

Pode-se não se ter coragem em assumir ou inteligência em perceber, mas tudo não passa de rebeldia (16-17).

Deus não se agrada de cultos, de música, de coros, de conjuntos, de uniões, de feiras missionárias, de esquetes, de retiros, de almoços, de encontros especiais, de EBD, de sacrifícios, quando o coração da pessoa verdadeiramente não está disponível a servi-lo, a considerar sua vontade (19-20).

Qual a solução?

A resposta é “quebrantamento”. Uma preocupação menor, bem menor, com o que ganhará; e maior, bem maior, com o que dará. O problema está na concentração do “eu” como a coisa mais importante de ser atendida. Isto direciona o homem à cobiça, que segundo Jeremias, e outros autores, como Tiago, é a razão da constante guerra no homem, e entre os homens.

O Senhor espera autenticidade no lidar com ele, e com a vida. Trabalha para que nossa espiritualidade seja plenamente real, e agradável a Ele, como um culto constante de quem tem o coração grato e disposto a adorar.

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