Coração velho

Não me lembro quem, mas ouvi alguém dizer: “Coração não envelhece!”. Confesso que auilo grudou em minha mente, em parte porque gostei da idéia, achei interessante a maneira de ver o coração; e em parte porque é uma maneira de amenizarmos a velhice: estamos envelhecendo, mas há algo em nós que continua jovem!

Gostei tanto da idéia que na semana seguinte, em uma conversa informal soltei a pérola que ouvira: “meu coração não envelhece, ele é jovem!”. Falei, e saí como vitorioso; crendo naquela afirmação; inclusive achando-me mais jovem do que realmente sou.

Mas, o Senhor me permitiu refletir. Pois bem, refleti e conclui a luz da revelação de Deus que esta afirmação se restringe a duas coisas: (1) à vontade de ser jovem. (2) ao pecado que habita no homem, tentando-o a crer que seu coração não é atingido pela influência do pecado.

Inúmeras vezes o Senhor nos revela a influência e a conseqüência do pecado em nós, atingindo diretamente o coração. Veja alguns exemplos: “Ferido como a erva, secou-se o meu coração; até me esqueço de comer o meu pão” (Salmo 102.4). “Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” (Provérbios 20.9). “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim um espírito inabalável” (Salmo 51.10).

Como pode um coração ser jovem sem Deus? Como pode um coração não envelhecer diante das investidas do pecado – da cobiça, da inveja, do orgulho, da malícia, da desonestidade, da indiferença? Como pode um coração vibrar como o de uma criança depois que experimentou as quedas, as decepções, as tristezas e amarguras que recheiam nossa história de cicatrizes; algumas superficiais, outras profundas, mas todas poderosas para endurecer, esfriar e envelhecer o coração?

Envelhecemos, e isto inclui o nosso coração. Acho até que nosso coração é a parte mais velha do corpo, pois é a que mais trabalha, como também é a que mais sente e sofre.

Mas, em contrapartida, há o regozijo em perceber que temos um Deus que é disposto e capaz de cuidar de nosso coração. Um Deus que como jardineiro rega a nossa alma, apara os galhos, tira as flhas secas, aduba a terra, renovando o nosso espírito. Compreendo e compactuo com os filhos de Coré quando afirmam no Salmo 42: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.

Sem Deus o coração envelhece, endurece e morre. Com Deus o coração envelhece, mas é renovado a cada dia. “Dar-vos-ei coração novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ezequiel 36.26).

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