Musicalizando a música

Canto gregoriano – Quanto tempo! Expressões musicais insistentes; refrões “eternos” retratando a visão de Deus na época. Um Deus poderosamente místico; e bem, bem distante. Música que tinha o propósito de formar ambiente. Pelo menos ao ouvirem tal cântico, ninguém duvidava de que se tratava de música religiosa; “música de Deus”, mesmo que ao gosto humano.

Os tempos mudaram, a visão sobre Deus também, e consequentemente a música. Entre a ARS Nova (uma escola de movimento da música) e o Romantismo, surgiu o Renascimento – música entendível; música com o propósito de revelar, de esclarecer, de ensinar a mensagem, enfim, de expressar conteúdo. Movimento musical que banhou a época da Reforma Protestante (Lutero, Calvino, …). Nessa época, música “boa” era a bem estruturada, sem erros; era a música que exaltava a Deus. Música “ruim” era o restante.

Mais mudanças na visão sobre Deus e sobre o homem, mais mudanças na música. Temos, então, o Romantismo com sua liberdade de expressão, com o propósito de mostrar os sentimentos do compositor. A música já não era quadrada em seu ritmo, era o princípio para novas experiências, novas tentativas.

Enfim, o marcante modernismo com sua liberdade de composição. Tudo complexo, estranho, atonal (sem tonalidades). O propósito? Liberdade! Romper horizontes, barreiras, afinal a visão do homem sobre Deus e sobre si mesmo estava tão sem cor, sem nitidez, quanto a música em sua estrutura, em sua compreensão, ou a falta desta.

Como observamos, a música historicamente sempre acompanhou a tendência da época, ajudando na proliferação teológica, ou filosófica prevalecente. O que temos hoje? Qual a visão sobre Deus e sobre o homem nos dias atuais? Consequentemente, que movimento musical é determinante?

Vivemos num tempo de “solos”, de “intérpretes”. A importância não está em Deus, ou em sua igreja, mas em quem o traduz, em quem o apresenta. É o pastor, é o cantor, é o grupo musical, … Há uma mescla que acompanha o momento teológico e filosófico desta época; uma sopa onde cabe todo o gosto, todos os ritmos, todos os movimentos. Aparentemente isto é interessante, pois não determina, não define as opções, não limita; ao contrário, abre-se para todos. Porém, na realidade isto revela a confusa visão sobre Deus, realçando a fraca e conflitante visão do homem em nossos dias. A tentativa é a de se fazer acreditar que não há absolutos, não há princípios universais para se definir o que é bom e o que é ruim. Aos olhos humanos, isto é verdade. Mas, se considerarmos o Senhor, não! Pois é o Seu gosto que deve prevalecer, aquilo que lhe agrada, aquilo que o exalta (pelo menos quando consideramos o louvor).

Vivemos em uma época  em que somos obrigados a fazer o absurdo: musicalizar a música. Ensinar aos músicos (ou aos candidatos) as leis universais da musicalização (mesmo considerando as diversas escolas de música existentes); destacando o que é ruim, pobre de conteúdo, falido em criatividade. Musicalizar a música, tornando-a amiga do Senhor, agradável aos seus ouvidos, cúmplice de sua revelação, ensinando, exortando, dirigindo-nos ao Criador da música (Jó 38.4-7).

A pergunta correta não é: Que música nos agrada? Mas sim, que música agrada ao Criador da música? Que música o satisfaz, o exalta? Que música nos faz pensar nele, viver com ele e para ele?

Sejamos ricos (plenos) como adorador do Senhor!

1 comentário

  1. Gostei do artigo! Boa análise (sucinto) sobre a música de hoje em todos os aspectos. Parabéns! Que Deus continue te usando.
    Em resposta, porém, a pergunta “que música nos agrada?” e “que música agrada ao Criador da música (Deus)?”, creio que a melhor resposta é exatamente a terceira e última pergunta: “Que música nos faz pensar nele, viver com ele e para ele?”, esse deve ser o objetivo da música na igreja (ou de adoração e louvor) – focar em Deus.

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