Morrendo para viver

Completo hoje 40 anos de idade. Quem diria…

Não faz muito tempo que sequer tinha noção do que seria ter esta idade, que mais apontava para a velhice do que a maturidade. Uma criança disse ontem pra mim: “o senhor tá mais pra idoso!”. Uma risada gostosa foi minha reação, lembrando-me de minha infância, quando tinha definição semelhante.

Iniciando a época da maturidade entendo que nem sempre recebemos aquilo que achamos merecer, assim como nem sempre damos o que devemos às pessoas (quanta vingança, quanta pequenez!). Presentes, reconhecimento, motivação para continuar, quando não, pelo menos, para apontar que estamos no caminho certo. Mas, o que sinceramente representa tudo isso? Marcas de nossa humanidade, de nosso ego.

Às vezes olho para mim e me acho como o vinho – quanto mais velho melhor, e às vezes me considero ultrapassado. Não sei bem como unir estes diagnósticos, não tenho certeza do sabor resultante desta mistura, principalmente porque em momentos de lucidez concluo que o melhor de mim é aquilo que não sou e não tenho. Descamando minha humanidade enxergo a amarração àquilo que é seguro, puro, coerente e carinhoso; vejo Deus soberanamente determinado a me fazer gente, persistindo em gravar em mim a sua marca.

Preciso morrer!

Sim, preciso, conscientemente, morrer, para que Deus seja visível em mim. Os cabelos brancos, rugas, dores, “tradicionalismo”, assim como o conhecimento, o raciocínio, a expressão do que sei, sou e tenho, tem de redundar em louvor e honra ao Senhor.

Sem demagogia, quem sabe a partir de agora aprenderei a morrer? Afinal, esta é a melhor maneira de viver!

Hoje, 26/10/2010, completo 44 anos. Há quatro anos escrevi este texto, refletindo sobre meu aniversário. Durante este tempo a realidade da morte tem sorrido para mim, tanto no envelhecimento físico como no entendimento de que não somos senhores de nada; muito menos de nosso próprio destino.

É claro que temos participação ativa em tudo, caso contrário o que seria a reflexão? Mas, aprendemos que há uma enorme distância entre participação consciente e senhorio.

Assim, continuo morrendo. E ao perceber e lidar com esta morte vivo melhor.

E você?

1 comentário

  1. Olá Wagner,

    Muito boa a reflexão sobre a boa atitude para com o envelhecimento. Realmente, precisamos encarar com otimismo e aceitar o processo de morte paradoxal ao processo de nova vida instalada em nós.

    Continue escrevendo e ampliando os horizontes!
    Abraço,
    Edgar

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