Reviver a infância

(Quero rever um texto com vocês)

A percepção e o entendimento dependem da interpretação particular sobre aquilo que se apresenta ou é apresentado. Por isso a hermenêutica e a exegese são de valores incalculáveis, redundando em lógica coerente ou não. Tudo depende de quem vê, se vê, e como vê.

Temos um maravilhoso, e bíblico, exemplo quanto ao viver. Todos querem chegar à maioridade, isto é, ser adulto na compreensão e no agir; entendendo ser esta a fase e a forma mais bem sucedida do viver. Os adultos pensam e agem como se as crianças nada soubessem. Por isso as crianças aprendem e os adultos ensinam. No pensamento comum, infância é o ponto de partida; enquanto a condição adulta é o destino, o ponto de chegada.

A exortação bíblica caminha na mesma direção, exortando-nos a agir com maturidade, não sendo mais infantil quanto à instabilidade e indisciplina: “não sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Efésios 4.14). Em textos assim o Senhor adverte a agir equilibradamente quanto àquilo que alcançamos, de maneira que não venhamos a regredir.

No entanto, o Senhor, através de Sua Palavra, traz um contraponto: se por um lado devemos progredir em maturidade, agindo como adultos conquistadores; por outro lado, devemos cuidar para manter a vida em sua perspectiva infantil: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19.14). “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18.3). A verdadeira vida, aquela que indica o caminho e o estilo do reino, é mais bem retratada pelo estilo infantil: sem dificuldades para se humilhar, para se arrepender, para assumir dependência; companheirismo; autenticidade; facilidade em perdoar; coragem para arriscar; alegria, revelada pelo prazer em viver. São características imprescindíveis para se viver bem, sem a doente malícia, e a escravidão do “agradar” ao outro, a fim de conquistar o que se deseja.

A poetisa mineira Adélia Prado suplicou: “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande…”. Sua doença era a de ser grande, de ser adulta. E este tipo de doença se cura tomando chá de infância, virando criança de novo: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Interessante a afirmação de Jesus a Nicodemos, principalmente após sua advertência: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas cousas?” (João 3.10). Tu és adulto, mestre, e não entendes? Precisa ser como criança, nascer novamente, crescer e viver como criança para então receber e gozar a vida eterna.

Quando os adultos com sua formação e interpretação particular ensinam nos tornamos cientistas, doutores no saber, na arte de dominar o mundo. Quando as crianças ensinam nos tornamos sábios na arte do viver. Elas ensinam a nos libertarmos de nós mesmos, dependendo única e exclusivamente do Senhor (Mateus 18.1-5).

Com o crescer aumenta-se o conhecimento, e com este a consciência, multiplicando a responsabilidade. Esta é a conquista adulta a ser preservada. Porém, com o crescer aumenta-se também o pecado, e com este a malícia, a soberba, o medo, e o orgulho. Esta é a parte a ser convertida. E esta conversão se dá em viver como criança. Volte-se ao Senhor e ele o converterá em criança.

6 comentários

  1. Como todos os outros textos que publica, esse é maravilhoso,
    achei faboloso, lembrei -me de que desde nova convertida peço sempre a Deus
    que torne meu coração como de uma criança, que logo esquece quando ofendida…
    Pra mim foi bastante proveitoso.
    Que Deus continui a te abençoar!
    Andreia

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  2. Até ter lido esse texto não tinha me atentado para o fato de que corremos atrás de conhecimento para adquirirmos senso crítico e nos tornarmos adultos com responsabilidades e deveres, sem nos darmos conta de viver da maneira que Deus quer que vivamos, puros e sem málicia como uma criança que não guarda magoa nem rancor ou ira. Deus o abençõe e o torne cada vez mais capacitado no dicernimento de Sua Palavra.

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  3. É exatamente este o dilema que todos vivem. Por isso, a necessidade de mudança no coração. Um abraço.

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  4. Oi pastor wagner gostei muito do artigo que você escreveu.
    Sobre infância.

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  5. Que bom, irmão. Este tipo de reflexão é necessária para um viver real do cristianismo; ou seja, de Cristo em nós.

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