Amor inigualável

Deus é tão íntimo que se expressa através daquilo que criou. Isto é, apesar de ser transcendente; é em sua imanência que percebemos e experimentamos a presença de Deus. E, observamos sua revelação por meio da figura feminina mais importante da humanidade: a mãe.

O próprio Deus, que Jesus chama de Pai, algumas vezes também se identificou como “Mãe”. Deus não vê problema em tomar emprestado da natureza os exemplos das mais extremadas mães. Por isso, Ele evocou a imagem de uma águia, mestra na arte de ensinar a voar: “Como a águia desperta a sua ninhada e voeja sobre os seus filhotes, estende as asas e, tomando-os, os leva sobre elas, assim, só o Senhor o guiou” (Deuteronômio 32.11,12). Quando zangado, Deus se comparou com uma “ursa, roubada de seus filhos” (Oséias 13.8).

Além das comparações encontramos citações diretas, como em Isaías 66.13: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei; e em Jerusalém vós sereis consolados”.

Assim, apesar de ser identificado como Pai, sendo bem mais pai que todos os pais. Deus se identifica como “Mãe”, servindo de referencial para todas as mães. Como está escrito: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49.15).

O que desejo ressaltar com estas observações?

Que nas singularidades criadas, Deus estabeleceu uma inigualável, e fundamental para todas as outras singularidades humanas: criou não somente a mulher com tudo o que lhe diz respeito, diferenciando-a do homem; mas, criou-a com a condição de progredir em seus sentimentos, relacionamentos e experiências diversas: deu-lhe o dom de ser mãe.

Algo sublime, único; tão espetacular que o pecado e o próprio inimigo tenta desvirtuar, inculcando-lhe o desejo de obter aquilo que é inferior à sua própria realidade, como algo superior: a igualdade com o homem.

Em Gênesis 3.16b: “o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará”. A palavra profética revela o que aconteceria a partir daquele instante: A mulher concentraria seu alvo, e, portanto, sua ambição e prazer em alcançar aquilo que diz respeito ao cotidiano masculino; ignorando a revelação que sua realidade é superior à do homem; pois, além de abarcar aquilo que a experiência masculina concede, possui algo experimentável que só lhe diz respeito. Tanto que o próprio Deus, revelado, normalmente, em tom masculino; diante da necessidade de revelar algo que o homem não possui, recorre à figura feminina das mães.

As mães podem experimentar, pelo menos em parte, aquilo que os pais vivem; porém, os pais não tem como experimentar aquilo que somente às mães está destinado: a intimidade da proximidade com o filho que somente o nascimento e crescimento em seu próprio corpo a permite sentir. Algo que lhe acompanha por toda a vida.

O que isto nos revela? Que mãe é um ser singular. Que, inclusive, revela de maneira singular a pessoa de Deus e o seu amor por seus filhos.

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Uma menina estava com medo de dormir sozinha. Sua mãe lhe trouxe uma boneca, conversou com ela e deu-lhe boa noite, mas não adiantou.

Então, sua mãe orou com ela e disse-lhe que os anjos iriam ficar no quarto, mas nada disso deu-lhe confiança e ela começou a chorar:

– Fique aqui comigo, mamãe. Eu não quero a boneca nem os anjos, eu quero alguém com pele.

Mãe é assim: aquela pessoa com pele com quem podemos sempre contar. É aquela que nos ama não por aquilo que somos, ou nos transformamos; mas, apesar daquilo que somos, ou nos transformamos. Simplesmente ama.

1 comentário

  1. Bom dia

    Pastor Wagner,

    Acho muito interessante esse entendimento de um DEUS SANTO e transcendente e que ao mesmo tempo se faz imanente, sem com isso deixar de ser DEUS e de ser SANTO, como alguns “teologos” relacionais querem-LO fazer.
    Nessa abordagem imanente de DEUS a comparação com as “Mães” foi muito feliz, porque nelas temos o exemplo de proximidade e cuidado.
    De fato ser mãe é um dom de DEUS, lembrei de outro texto, em que DEUS (na pessoa de Jesus) se mostra com uma mãe.
    Mt 23-37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

    Grande abraço
    Em Cristo
    Ezequiel Stefani

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